Desde tenra idade que somos quase como que obrigados a ser catalogados. Somos obrigados a caber dentro de caixas. Se estudas vais para a caixa dos nerds se és rebelde vais para a caixa dos fixes. Se gostas de futebol e és uma rapariga vais para a caixa das “maria-rapaz”. Se gostas de maquilhagem e roupa vais para caixa das fúteis. Se te vestes de preto vais para a caixa dos góticos.
Mas o que nunca ninguém nos disse é que podemos ser isto tudo ao mesmo tempo e não precisamos de estar enfiados em caixas estupidas que nos limitam a personalidade.
Ora esta catalogação a que somos sujeitos desde cedo e desde sempre faz com que tudo aquilo que saia do que é esperado da nossa “caixa” seja algo que nós temos medo de mostrar pelo medo do que o que outros irão dizer. Não sei se foi tarde ou cedo mas felizmente aprendi que não devemos ligar às opiniões de ninguém sobre nós. E que a única validação que precisamos é precisamente a nossa. Não, nós não somos pessoas para estar dentro de caixas. Nós somos seres plurais e isso é o que faz de nós especiais. Como é que cabem tantos mundos dentro de um mundo só? Isso sim é verdadeiramente espectacular.
Este foi o meu grito do Ipiranga, esta foi a minha revolução: aceitar que dentro de mim existem vários mundos e que todos eles têm lugar e convivem entre si e que é esse convívio de mundos que faz a minha identidade.