segunda-feira, 8 de março de 2021

Pluralidades

 Desde tenra idade que somos quase como que obrigados a ser catalogados. Somos obrigados a caber dentro de caixas. Se estudas vais para a caixa dos nerds se és rebelde vais para a caixa dos fixes. Se gostas de futebol e és uma rapariga vais para a caixa das “maria-rapaz”. Se gostas de maquilhagem e roupa vais para caixa das fúteis. Se te vestes de preto vais para a caixa dos góticos.

Mas o que nunca ninguém nos disse é que podemos ser isto tudo ao mesmo tempo e não precisamos de estar enfiados em caixas estupidas que nos limitam a personalidade.

Ora esta catalogação a que somos sujeitos desde cedo e desde sempre faz com que tudo aquilo que saia do que é esperado da nossa “caixa” seja algo que nós temos medo de mostrar pelo medo do que o que outros irão dizer. Não sei se foi tarde ou cedo mas felizmente aprendi que não devemos ligar às opiniões de ninguém sobre nós. E que a única validação que precisamos é precisamente a nossa. Não, nós não somos pessoas para estar dentro de caixas. Nós somos seres plurais e isso é o que faz de nós especiais. Como é que cabem tantos mundos dentro de um mundo só? Isso sim é verdadeiramente espectacular.

Este foi o meu grito do Ipiranga, esta foi a minha revolução: aceitar que dentro de mim existem vários mundos e que todos eles têm lugar e convivem entre si e que é esse convívio de mundos que faz a minha identidade.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2021

(Re) Começo*

 Pensei muito em como começar isto ou recomeçar neste caso. Não arranjei propriamente uma forma e por isso comecei só a dizer que não sei qual a melhor forma de começar a não ser, apenas a começar! Já não vinha aqui a este canto há algum tempo. Sete ano, se não estou em erro. Quando criei este cantinho, lembro-me que tinha um outro blog onde escrevia bastante. E lembro-me também que esse blog estava cheio de sofrimento amoroso, de relações que não deram muito certo mas essencialmente esse blog era o de uma menina com muito pouca autoestima e com muito sentimento. A necessidade que essa menina teve na altura de criar este outro canto foi porque percebeu que não queria ser mais assim. Este canto foi criado em 2014 e posso dizer que só agora, passados sete anos, essa menina está a começar a ser a mulher que queria ser (spoiler alert: descobri que ter muito sentimento não era o problema e portanto ele continua cá). Durante estes sete anos, muito se passou e o facto de ter abandonado este canto é o reflexo do abandono de mim própria. Abandonei tudo aquilo que fazia de mim eu, estive durante um tempo a boiar em águas que não reconhecia. Passaram por mim muitas pessoas, muitos sentimentos, muitas ilusões e desilusões, fui-me muito infiel. No fim de 2018, percebi que tinha deixado de boiar e que o meu corpo tinha batido no fundo, deixando a minha alma a pairar no mundo. Percebi que tinha que fazer algo para mudar, para reconectar o meu corpo com a minha alma e deixar de me sentir tão pouco eu e tão sem vida e propósito. Decidi pedir ajuda (profissional). Algo que da primeira vez não correu muito bem. Entretanto a vida decidiu pôr no meu caminho algo (alguém, neste caso) que para mim foi tanto uma lição como uma bênção. Costumava achar que tínhamos sido uma distração um do outro quanto aos nossos problemas, mas hoje vejo que, pelo menos para mim, não foi uma distração, foi o necessário para me levar para o caminho que queria. Acredito genuinamente que todas as pessoas têm um papel na nossa vida e que muitas vezes só o percebemos muito depois. Este foi o dele, o de me fazer perceber novamente quem eu era e o que queria. Apesar de ter continuado o caminho sozinha (afinal este é o meu caminho), percebo agora que aquilo que eu achava que me tinha distraído do meu caminho, foi o que me levou a reencontrá-lo. E no final de 2019 voltei a tentar e fui novamente pedir ajuda e desta vez bati a uma porta diferente. A melhor porta onde poderia alguma vez ter batido e desde aí que tenho vindo a construir a pessoa que quero ser. E a melhor prova disso é ter conseguido cá voltar. Não sei se será para continuar, resolvi que venho cá apenas e só quando precisar de cá vir e isto me fizer bem, sem pressões, sem divulgações. Se entretanto as minhas palavras encontrarem alguém, se fizerem bem a alguém, nada me deixará mais feliz, mas por agora este será o meu cantinho onde eu escrevo quando e o que me fizer sentido. Se eu poderia escrever isto num caderno ou num Word? Poder podia mas aí não iria sentir que estava a partilhar de mim e quem me conhece sabe que a partilha é algo que me faz falta. A partilha de palavras, a partilha de músicas, a partilha de sentimentos, a partilha de emoções e de perspectivas. E foi por isto que cá voltei. Isso e porque quando estava a tomar banho hoje me relembrei que este canto existia. Quem não adora uma boa ideia de banho? Eu adoro! É onde tenho as melhores mas ironicamente desaparecem com a água tal e qual a espuma que faz o shampôo. Mas esta não desapareceu e consegui escrever quase tudo aquilo em que pensei. E portanto é isto: recomecei no blog e na vida.


I.B. 25/02/2021

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

And there comes a time when you make peace with your past and you just accept it has part of your growing proccess and not has something you need to be mad at. The past is something that should make you better not bitter.


segunda-feira, 20 de outubro de 2014

No dia 2 de Janeiro de 2014 decidi ir a uma consulta de nutrição. Não me sentia bem com o meu corpo, tinha-me desleixado e depois de ouvir várias vezes dizerem-me que tinha que começar a ter em atenção o meu corpo, achei que devia fazer algo para mudar. Ter a força de vontade que nunca tive para entrar em "regime". Pensei que nunca o ia conseguir fazer porque adoro comer, mas depois da primeira consulta vi que na realidade aquilo que ia ter que fazer era começar a comer bem. Tinha 1,61m e estava a pesar cerca de 69kg. Vida de universitário não perdoa, ganhei 10kg durante os 3 anos de licenciatura e embora não estivesse obesa, não estava bem. Desde que comecei o regime (agora já o acabei, estou na fase de manter o peso) perdi 15kg e ganhei um corpo de qual eu gosto mais, com o qual me sinto melhor. Perdi alguns hábitos, controlo melhor outros e comecei novos. Estou orgulhosa de mim e do que consegui e sinto-me bem assim. Mas a razão por estar a escrever isto não é para contar aquilo que consegui mas sim para mostrar como as pessoas conseguem sempre criticar-nos "seja por ter cão, seja por não ter". Antes de começar a emagrecer ouvi tantas vezes: "Não comeces a cuidar-te, não! Estás a ficar gordinha" ou então mesmo directamente "Estás mais gorda, tu!" e mesmo durante o regime (nas primeiras semanas, mesmo tendo perdido uns bons 2 ou 3 kg que não parecendo muito, é) me diziam o mesmo. Com 15 kg a menos e a sentir-me melhor que nunca com o meu corpo, ouço coisas do género: "estás tão magra que até estás feia" ou então "qualquer dia de frente vai parecer que estás de lado". Não parece mas certas coisas, para quem tem uma auto-estima mais em baixo ou para quem "faz coisas" à espera do reconhecimento de outras pessoas (amigos, familiares, etc.), não são boas de ouvir. A mim chateia-me, só, que as pessoas estejam sempre prontas a criticar o corpo de alguém e cada vez mais acho que temos que ser aquilo que nos fizer sentir bem e exibir o nosso corpo (com o qual nos sentimos bem) com orgulho!! Num mundo onde cada vez mais julgamos as pessoas pela aparência que têm, acho importante começarmos a construir-nos fortes o suficiente para não ligar ao que nos dizem e sentirmo-nos bem com o corpo que temos, afinal o corpo é nosso e quem o "usa" todos os dias somos nós, porque haveremos de agradar aos outros em vez de a nós próprios? Afinal, é impossível agradar a todos ao mesmo tempo...

sexta-feira, 10 de outubro de 2014


"Pior do que não terminar uma viagem é nunca partir"
Quem viaja nunca mais é o mesmo. Levamos um pouco de nós, trazemos um pouco do mundo connosco. É como se nunca mais pudéssemos voltar ao que eramos antes de partir. E não podemos mesmo. As coisas que vemos, que sentimos, os cheiros, as cores, as pessoas, as culturas, o que aprendemos, as diferentes perspectivas de um mesmo tema, tudo isso nos faz crescer e com o crescimento vem, ou deve vir, inevitavelmente a mudança. Uma mudança boa, uma mudança mais sábia. Quem viaja é mais sábio. Arriscaria a dizer, somos tornaremo-nos mais sábios quanto mais viajarmos. Por isso, "na dúvida, viaje!!"

sábado, 26 de julho de 2014

Início*



Este cantinho foi criado apenas para coisas boas, tudo o resto deixo no Pedaços de mim. Por isso, juro solenemente só escrever coisas boas, alegres, felizes e divertidas neste meu canto positivo da vida :)
Fiz as malas e vou em direcção a dias onde o sol brilha mais*